quarta-feira, 16 de março de 2011

Pra ela...

Me vem à cabeça, logo esta hora do avançar na madrugada o sorriso de uma mulher...
me invadem a sua destreza e beleza e a pequenitude agigantada por seu brilho.
Ela me invade a emoção minha, que é mais leiga.
Num arrepio, ela tão íntima, e a voz mais do que meiga...

E vi, que diz meu nome num diminutivo,
de um jeito tão ardil e tão altivo,
numa emoção desreprimida de atuação.

Mas nem me importa...Nem a porta do céu dela, nem por onde irei andar.
O que direi, no epitáfio de meus verso..
É que lhe quero com desejo de universo..
Que atrai estrela pro vestir de teu andar.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Vejamos,
são cinco da manhã...
eu, acordado e tenso, penso.

"Todas as coisas são impossíveis."

penso no que me tem acontecido nesses últimos meses...
de como a vida mudou..
e de como a vida continua a mesma coisa...
tudo bem, com certos males.

tudo mal, e com, ainda, certos bens.

Uma pessoa interessante me veio dizer...
que eu me esvaía nesse sentido.

Mas, veja pessoa...
me perdi por muito pouco.
Se me encontro...
É na madrugada.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sobre um instante.

O tempo parou.

E as injustiças do mundo
e as guerras...
os mistérios, todos, do universo, foram revelados.

Eu, um tecedor de palavras, as perdi.
de minha boca, nada se ouvia, quando o tempo parou.

Se eu pudesse guardar,
em foto, em fatos, em memória aquele tempo em que o momento parou...
se eu pudesse viver eternamente, nem que fosse apenas a possibilidade
daquele momento, juro, viveria.

O tempo parou, no sorriso dela.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Lembro...
Gosto e gestos teus, tão delirantes.
e gasto todo meu tempo na sutil lembrança."

Noite clara de céu derradeiro,
eu andava, descalço no terreiro.
minha moça sentada na rede já surrada.
Minha moça, minha já primeira amada.
Antigos poemas, seus e meus.

Quintana, era meu preferido...por sua pureza, em parte
em outra, por seu pensamento maquinal de emoção.
a moça gostava de lances estrangeiros, Wilde, Dylan, Blake...
Lhe dava perdão a esta falsa intelectualidade.

Nossa roça interior não nos permitia tamanha ousadia literária.
Ora, vejamos, esta moça.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Eloísa

Criei-me dentro de um cérebro explosivo
automático, auto-destrutivo.
vejo em minha gênese então,
a primeira e derradeira fagulha da emoção contida
e posteriormente, descontada.
Ó, não seja tão inconstante Eloísa.
Pense mais, e sorria menos, e minta menos, e fale menos.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Re(parto).

Com ela eu repartia a casa
Repartia a cama
Repartia o amor e uma maçã
Com ela eu repartia um livro
Repartia dores
Repartia o orgasmo e o afã
Com ela eu repartia as contas
Repartia um prato
Repartia até ilusões
Com ela eu repartia um doce
O último cigarro.
Repartia minhas canções

Com ela eu repartia o verbo amar
Com ela eu repartia o vocativo “amor!”
Com ela eu repartia o “sim!”, no altar
Com ela eu repartia o lugar pra onde for

E ela me deixou partido, quando simplesmente partiu
O parto morto, filho sem sentido
Visto o terno preto do meu luto
Descrevo minha luta
Num papel que ela nunca viu.
Me sinto...

O poema de 10 anos.

Fala, grita, pede à vontade
Chora, fere, grita à vontade
Entra, senta, fica à vontade
Beija, ama, mata a vontade
Antes que a saudade me mate

Entra, fica, beija à vontade
Fala, ama, chora à vontade
Pede, grita, senta à vontade
Fere e mata, mata a saudade
Antes que a vontade me mate

Beija, anda, faz meu desejo
Cala, fala, como um solfejo
Jura, sela teu juramento
Acredita que esse momento
Vai valer, eterno, no tempo

E o tempo é quem dirá por nós
E o tempo revela teus segredos
E os medos
E o tempo manchará tua pele
Aquela, que de todas difere

E lembro um poema que fiz
A poucos dez anos atrás
Dizia: “Um dia eu volto pra cá meu poema
E até nunca mais.”


Letra da minha música nova!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A maldade da poesia.

Tantas pessoas ricas,
no Leblon, numa mansão, na Disney...
outros catam lixo, e o vendem e se reciclam em sua miséria.
e tantas mulheres lindas, de olhos lindos, e vozes lindas.
Outras doentes, dormentes, depressivas. Por que?
Acesso à internet. Acesso ao Lago, lancha própria, carro próprio, voz própria.
E logo ali, feijão e farinha.
Champagne, Jack Daniels, Empório, Hype, Sedna, Jurerê Internacional.
Veja lá! Nem água potável, nem sorrisos falsos, nem os francos, nem os inexistentes.
Por que tratar o esgoto? Se a vida é um esgoto.
Silicone, lipoescultura, Botox...
Aids, diabetes, morte.
O mal do mundo, o bem do mundo.
A diversidade.
Sabe, deixo de descrever, e falo em pessoa, de imediato
acordei hoje, com um enorme falso moralismo. Isso não é mentira.
Este poeta, amigos, isso é verdade, e não lhes omito.
Vivo de imagem.
outros, à margem.
é a injustiça do mundo. É a doença silenciosa. É o pecado do planeta.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

quebra;

Neste pé de amora, lembro-me de parar várias vezes.
Detinha-me a sacrificar a vida frágil das negras belezas.
não paro mais no supracitado vegetal.
há uma janela.

E este vão de visão me ataca os nervos
até os mais secretos.

durmo e acordo.
hoje algo estranho.
Mas deixa pra depois.

Estranheza

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Esssa formigas tramam alguma coisa, estáticas.
formigas são insetos andantes, sabe? Incertos de onde ir
parecem que conversam, manipulam, telépáticas.
Tocaia de formiga, ali, tão justo ali.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

2

Lembro-me que a dois anos chorei muito.
Não, não chorei muito.
Chorei por uma morte, por duas ou três crises esquizofrênicas.
Por duas ou três bebedeiras. Sim, muito, chorei.
Esses anos, dois. Passaram como que com a finalidade de que eu esquecesse o gosto das lágrimas caídas, engolidas.
Lembro-me diariamente da promessa de mudança de tempos atrás, de dois anos atrás.
Uma vez, a dois anos atrás, pensei em me matar.
A dois anos atrás, a promessa da mudança interior começou a se concretizar em mim.
Mas isso já está ficando "Paulo Coelho" demais.
a dois anos atrás, eu morri.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A respeito de um sorriso.

Gosto de um sorriso...
e sinto o gosto dele.
e o vejo e revejo.
com seu adorno sobre ele.
uma pintinha, um sinalzinho de beleza
que mora em cima do sorriso.
que inveja tenho daquele pequeno pontinho.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Ensaio Venusiano

Toda mulher já se encantou no primeiro encontro
E se desencantou completamente no segundo.
Toda mulher já chorou trancada no banheiro
E já chorou em público, por “ELE”, ou por nada,
Apenas por vontade de chorar, por TPM, por si mesma.
Toda mulher já ouviu a mesma música mil vezes
E todas as mil vezes se sentiu ser mulher.
Toda mulher já esperou o celular tocar na madrugada
No dia seguinte,
no “nunca mais”.
Toda mulher já disse eu te amo
E já disse “nunca mais vou amar ninguém”
E depois acabou amando.
Mais cedo ou mais tarde ama-se.
Toda mulher já quis emagrecer dois quilos,
Já quis o vestido da amiga,
Já quis beber pra esquecer
Mas acordou de ressaca e se lembrando mais ainda.
Toda mulher já teve uma amiga falsa
E mil outros homens falsos.
Toda mulher pensa na gravidez,
Na futura gravidez que seja
Nos filhos, nos futuros filhos, que seja...
Na casa própria, bem arrumada e perfumada
No marido chegando a noite
Cedo, de preferência;
Fiel, de preferência;
Amante eterno, de preferência.
Toda mulher já trocou de roupa mil vezes antes de sair de casa
E assim que pôs os pés pra fora
Viu que deveria ter vestido a primeira das mil.
Toda mulher já resistiu a um beijo querendo beijar,
Já resistiu fazer amor por estar naqueles “malditos” dias
Ou simplesmente resistiu pelo fato de ser mulher;
E no dia seguinte se arrependeu.
Toda mulher já riu-se de um falso cavalheirismo,
Já chorou por um falso cafajeste
Já quis sumir do mundo por um segundo apenas.
Toda mulher já quis receber flores,
E livros, e chocolates.
Aliás, toda mulher já amou por um instante
Uma caixa de chocolates.
Toda mulher já se cansou de uma relação
Mas a manteve por tempos a fio, mesmo estando exausta.
Toda mulher já deu tudo de si
Sem receber nada em troca
Porque é da natureza da mulher, esse altruísmo.
Toda mulher já quis o beijo do melhor amigo
E depois do beijo, viu que o amigo era simplesmente mais um homem qualquer.
Toda mulher já sonhou acordada por horas distantes,
E chorou, e chorou e encontrou consolo
Naquele belo pote de sorvete.
Toda mulher já quis pagar seu próprio cinema
Seu próprio jantar
E dizer: “Espera aí cara, eu sou independente.”
Toda mulher já esteve carente
E procurou por Deus
Depois de ter comido o pão que o diabo amassou.
Toda mulher já se conformou com um “fim”
Num shopping, numa amiga, numa caipirinha de frutas vermelhas.
Toda mulher já amou;
Toda mulher já nasceu pra ser amada;
Toda mulher é o amor vivo e latente.
Toda mulher que leia meu poema pode pensar:
“Mas calma aí! Não é ‘toda’ mulher que é assim”
Pois então que as direi:
Perdoem-me por ter tanto generalizado
E tê-las tratadas ‘todas’...
(elas que são seres tão únicos.)
Com toda essa impessoalidade.
Afinal, sou homem
E nunca
Absolutamente nunca vou entender as mulheres.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Elegia ao Tempo

Faz anos
não começo um poema pelo nome
Nem atiro aquelas antigas palavras a esmo.
nem os jogos de palavras
nem o jeito Metafórico
nem nada
Nem O nada

Foi ele.
Foi ele meu medo e meu vilão
Que me fez compositor de poesias corretas, correlatas e bem pensadas
Foi ele meu algoz
Meu carrasco atroz e furioso

Mas quem é ele?
E o que é ele?

Resposta sem tema.

Que ninguém no mundo poético
respondeu ao certo

Até a letra manuscrita
ficou mais bonita
e o verso, e a rara, rima.
E a métrica metódica.
e a metida metalinguagem do experimento poético.

Ele, ele
Lhes direi:
Aos santos que ainda vivem
ou ao menos lêem vagos poemas
(quem dirá toda ciência de poesia)

Ele é o tempo.

Que te dá vida
e amores
e aparta dores
trás alegria
e fios brancos
e cicatrizes e rugas.
e aquelas antigas palavras arremessadas.

Que faz crescer teus filhos
e cair a pele
e morrer as flores
e nascer o sol
e passar o dia e entrar a noite.

Segundos, milênios
guerras, armistícios, paz, aliança
Outra guerra.

Foi o tempo, meus caros
que mudou meu tempo, meu tom
meu verso e universo

foi o tempo que apenas e tão somente passou.
e ele insistentemente, como disse disse outrora um lindo poeta.
"Não pára".

A hora da insônia

Esta é a melhor hora da palavra.
Quando a própria já não sabe que caminho seguir,
vai tomar, perseguir, retomar.

A língua de lixa
De lixo
de lixa, lixo
de bicho.

Esta é a hora em que o pensamento
se embaralha,
fica fosco
Pedra
Fosco
Perda
Pedra fosca.

A língua de lixo do bicho.

sábado, 20 de novembro de 2010

Nota

Faz tempo que não escrevo...
Escrever é pra coisa triste, pro fluxo drama.
Incrivelmente, minha vida vai muito bem, obrigado.
Tenho tido os mesmos problemas fatídicos de outrora, ora...
Tenho meus grilos com insônia, com álcool, com Deus...
Veja, que esta palavra escrita não é poética, é arremessada.
São seis e quinze da manhã...
De uma manhã de um dia vinte, vão.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Rafa..Ela.

Este poema é pra ela...
este poema é dela...
este poema é ela...
ela é quem quer.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

E vou...

Um homem que surgia da areia me deu novos planos, eu pra variar não consegui cumpri-los...Minhas estrelas, meu disco arranhado...Meus planos escritos todos depois de outra crise depressiva...minhas reticências...Palavras arremessadas...Que futuro pode ter um escritor que apenas escreve coisas pra si mesmo? Que não dá à palavra tom de entretenimento...Eu ainda vou te amar, e a corrida da vida não vai parar nos meus erros de português. Eu não preciso de sorte, nunca precisei de sorte. Sou egoísta e manipulador, sou uma queda em alta velocidade, uma palavra distorcida, uma beleza inexata, uma falsidade real. Devaneio, tiroteio de ideias, eu cego em meio a ele...ainda não me acostumei com a tal nova regra gramatical...nunca me acostumei com regra nenhuma, a não ser a minha própria regra de não ser passado por nada, nem ninguém...Vista-se como quiser, fale o que quiser, hoje no mundo a gente pode escrever como quiser e até mesmo morrer como quiser...é a tal licensa poética...Ela me acertou com força na cabeça, mas eu não liguei, era ela uma vagabunda a quem eu ensinei as regras do egoísmo...ela não tinha sequer pensamentos, e hoje tem inclusive um fluxo de ideias...vagabunda...é pra eu aprender a não dar mais valor a ninguém, e nem ensinar-lhes essa arte rara e super estimada do egoísmo necessário e consciente...fluxo de pensamento...ideia de teórico literário que não tem porra nenhuma pra fazer além de demarcar seus territórios hermeneuticos na minha poesia arremessada da maneira que eu bem entendo...e qual é o filme que vejo agora? Disso eles não saberam...A vida merece um Marlboro.